Muitas pessoas enfrentam dificuldades na mastigação, na respiração ou até mesmo na fala sem saber que a causa pode estar na estrutura óssea do rosto. A cirurgia ortognática surge como uma solução para corrigir essas alterações, proporcionando melhora funcional e qualidade de vida.
O procedimento realizado para corrigir discrepâncias dentofaciais muitas vezes é visto apenas com o objetivo estético. Mas sua principal função é proporcionar equilíbrio entre a face e o crânio. No entanto, como qualquer cirurgia, demanda indicação de um profissional.
Neste artigo, vamos explorar tudo sobre a cirurgia ortognática, desde as indicações até o pós-operatório, esclarecendo dúvidas e trazendo informações baseadas na ciência. Confira!
Antes de tudo, duas curiosidades
De acordo com uma revisão sobre o tema, publicada em 2021 na Brazilian Journal of Health Review, a cirurgia ortognática começou a ser documentada no século 15, mas apenas no século 20 surgiram técnicas mais seguras, devido ao avanço da anestesia e dos métodos cirúrgicos.
Além disso, a Segunda Guerra Mundial foi um grande impulsionador do desenvolvimento da ortognática, pois os estudos se voltaram para a reabilitação de soldados com lesões faciais. Agora, vamos explorar as informações práticas sobre o tema!
Quais são as indicações para a cirurgia ortognática?
A cirurgia ortognática é indicada nos casos detalhados a seguir.
- Má-oclusões severas: quando o alinhamento dos dentes e da mordida não pode ser corrigido apenas com tratamento ortodôntico.
- Problemas respiratórios: pacientes com apneia do sono ou dificuldades respiratórias devido à estrutura facial podem se beneficiar do procedimento.
- Dor crônica na articulação temporomandibular (ATM): quando associada a um crescimento inadequado dos ossos maxilares.
- Dificuldades na mastigação e deglutição: quando os dentes não se encontram corretamente para processar os alimentos.
- Assimetrias faciais: desarmonias entre maxila e mandíbula que afetam a funcionalidade e o bem-estar.
- Casos de deformidades congênitas ou adquiridas: como fissuras labiopalatinas e traumas faciais que comprometem a harmonia facial.
Como funciona o diagnóstico e planejamento?
O sucesso da cirurgia ortognática depende de um planejamento detalhado, que inclui:
- exames clínicos e radiográficos, como telerradiografias e tomografia computadorizada;
- discussão de alternativas de tratamento para garantir que a cirurgia seja a melhor opção disponível;
- modelos de gesso ou planejamento virtual tridimensional para previsão dos resultados;
- avaliação interdisciplinar com ortodontistas, fonoaudiólogos e psicólogos para garantir uma abordagem holística;
- uso de softwares de simulação para prever o impacto da cirurgia na funcionalidade e na estética do paciente.
Qual é a principal orientação pré-cirúrgica?
Se você está considerando esse procedimento, é essencial compreender todos os detalhes antes de se submeter a ele, incluindo riscos, benefícios e limitações. O cirurgião deve fornecer informações claras e documentadas, assegurando que você possa tomar uma decisão bem fundamentada. Esse processo é conhecido como Consentimento Livre e Informado, um direito do paciente e uma responsabilidade ética do profissional.
Além disso, todo o tratamento deve ser devidamente registrado, incluindo exames pré e pós-operatórios, fotografias e anotações sobre a evolução do caso. Essa documentação não apenas auxilia no acompanhamento da recuperação, mas também protege os direitos do paciente e do profissional.
Confira em vídeo o Dr. Marcus Azevedo do Amaral, cirurgião bucomaxilofacial e coordenador do Núcleo Técnico de Odontologia da Omint, explicando mais sobre o tema:
Como é o procedimento cirúrgico?
O procedimento é realizado sob anestesia geral e pode durar de 3 a 6 horas, dependendo da complexidade do caso.
Além disso, a hospitalização varia entre 24 e 48 horas. É importante saber que, atualmente, o procedimento pode envolver diferentes técnicas cirúrgicas, conforme a necessidade do paciente. Confira!
- Osteotomia Le Fort I: utilizada para movimentação da maxila, corrigindo a relação entre maxila e mandíbula.
- Osteotomia Sagital de Ramo Mandibular: realizada para avanço ou recuo da mandíbula.
- Fixação interna: uso de miniplacas e parafusos de titânio para estabilizar os ossos nas novas posições.
Como é o pós-operatório e a recuperação da cirurgia ortognática?
Esse é um ponto de preocupação para a maioria dos pacientes. Afinal, por se tratar de um procedimento invasivo, exige paciência e cuidados específicos. O acompanhamento pós-operatório se estende por meses.
Seguem algumas orientações gerais para quem precisa passar pela cirurgia.
- Edema e dor: comuns nos primeiros dias, podem ser controlados com medicação e compressas frias.
- Dieta líquida e pastosa: mantida por algumas semanas para evitar esforço excessivo na mastigação.
- Fisioterapia e fonoterapia: para reabilitação da função muscular e adequação dos movimentos da face.
- Acompanhamento ortodôntico: para ajustes finais e estabilidade do resultado.
- Cuidados com a fala: exercícios específicos podem ser recomendados para readaptação da musculatura oral.
- Atenção às possíveis complicações: inchaços repentinos, vermelhidão na pele após a primeira semana da cirurgia, saída de secreções pelas feridas da cirurgia ou mudanças muito grandes nos contatos dos dentes durante o período de cicatrização
Conclusão
A cirurgia ortognática é um procedimento complexo, mas essencial para pacientes com deformidades dentofaciais significativas. Com diagnóstico preciso, planejamento adequado e cuidados pós-operatórios, é possível transformar a qualidade de vida dos pacientes.
É importante lembrar que o seu sucesso depende de um planejamento multidisciplinar, da adesão do paciente ao pós-operatório e de uma abordagem humanizada para garantir bem-estar funcional e emocional.
Se você está enfrentando algum dos problemas descritos ou conhece alguém que possa se beneficiar dessas informações, compartilhe esse artigo! Até a próxima!